ANÁLISE OSCAR 2015: FILME

E finalmente chegamos à categoria mais importante, onde pela primeira vez poderíamos ter dez filmes indicados e tivemos apenas oito, mostrando muita incoerência com boa parte das categorias.

Este ano dois filmes obtiveram nove indicações. Já no outro extremo, um filme teve apenas mais uma indicação além da principal.

Vejamos então os oito melhores filmes escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

 

MELHOR FILME

 

AMERICAN SNIPER

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Homem texano, moldado a ferro e fogo pelo pai, se assombra com os crescentes atos de terrorismo contra seu país e decide usar suas habilidades como sniper (atirador de elite) para ingressar nos SEALS e tornar-se uma lenda viva dentro e fora do exército.
Para uns, “American Sniper” é visto como uma obra de propaganda de recrutamento, mas nada mais é do que um filme baseado na vida do maior atirador das Forças Armadas dos Estados Unidos, que teve uma vida tipicamente rígida e com valores conservadores, e viu no seu dom um motivo para salvar vidas, mesmo que tirando a de outros. É a volta vigorosa de um grande diretor, que devia um filme a altura de seu calibre.

 

BIRDMAN OR (THE UNEXPECTED VIRTUE OF IGNORANCE)

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Filmado para dar a impressão de um único plano sequência, “Birdman” é uma comédia de humor negro que faz uma crítica inteligente sobre o mundo do teatro. Dentro deste pano de fundo, acompanhamos a história de Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator de sucesso outrora interpretando o personagem título do filme, que quer provar a todos e a ele mesmo que tem talento ao escrever e dirigir uma peça da Broadway e, com isso, se livrar de vez do fantasma que o assombra e reconciliar-se com seu passado pessoal e profissional.

 

BOYHOOD

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O filme, que demorou 12 anos para ser realizado, conta a história comum de um garoto, de sua infância à adolescência, acompanhando as diversas mudanças de lar e sua relação com seus pais.
A dificuldade em reunir o mesmo elenco por tanto tempo acabou elevando “Boyhood” a um status de obra-prima, sendo que nada mais é do que o retrato de uma vida normal e desinteressante, com péssimos atores e sem originalidade, mas que agradou aos críticos e parte do público, e entra como o principal favorito ao prêmio, mostrando como o cinema e, principalmente o público, está em crescente decadência.

 

THE GRAND BUDAPEST HOTEL

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Quem conhece o diretor Wes Anderson, já sabe como seu estilo único atraiu um público que acredita que suas obras são a última maravilha do mundo, quando na verdade são fábulas com humor sem graça, mas visualmente peculiares, e “The Grand Budapest Hotel” é a maximização de toda sua filmografia.
Temos aqui as mesmas personagens com características excêntricas de todas as suas obras anteriores, a mesma personalidade única para criar suas próprias histórias, e a mesma pseudo intelectualidade que seu nicho adora elevar a um patamar longe do merecido, e ainda ‘resgata’ atores outrora muito bons, mas que hoje vivem o réquiem de suas carreiras.

 

THE IMITATION GAME

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The Imitation Game” conta a história do genial e arrogante Alan Turing, pioneiro da computação que, juntamente com uma equipe, devem decodificar o ENIGMA, um aparato usado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial para transmissão de mensagens e considerado indecifrável.
Mais uma obra baseada em fatos verídicos, com mais clichês do que “A Beautiful Mind” e que tem todas as características pseudo artísticas que os donos da Weinstein Co. adoram enfiar goela abaixo dos membros da academia e críticos, e que, este ano, não obteve o resultado esperado. Sendo apoiado principalmente em seu protagonista, o filme não sustenta a indecisão do roteiro entre retratar um gênio ou ser um panfleto anti homofóbico.

 

SELMA

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Outra obra baseada em fatos reais, “Selma” acompanha principalmente os preparativos anteriores à marcha entre a cidade título e Montgomery, capital do Alabama, liderada por Marthin Luther King, em favor dos diretos de voto para os negros, que causou grandes conflitos não somente municipais, mas estaduais e federais.
O filme obteve somente mais uma indicação além desta, que foi a de melhor canção original, e isto causou grande controvérsia, pois esperava-se que o longa, que tem ótima avaliação em sites supervalorizados como Rotten Tomatoes, recebesse indicações a ator e, principalmente, em direção, o que quebraria um tabu. Mas o filme não tem nada que valesse tanto burburinho, não serve nem como documento histórico, é somente o cotista que se esperava na premiação.

 

THE THEORY OF EVERYTHING

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Baseado na obra ‘Travelling to Infinity: My Life with Stephen’, de Jane Hawkins, esposa do físico Stephen Hawking entre 1965 e 1991, o filme centra-se na vida do casal até praticamente os dias atuais. Porém, como é inspirado no livro escrito por Jane, logo mostra a personagem como uma quase santa, que desistiu de seus sonhos e desejos para cuidar do homem que amava, mas não esperava que por tanto tempo, e que se viu ‘traída’ e decidiu mudar sua vida, quando obviamente a história real é bem diferente.
Mesmo sem esta ‘falha’, “The Theory of Everything” é um repleto de clichês, o que agradará o público médio, especialmente o feminino, e que tem em seu casal de protagonistas sua maior qualidade.

 

WHIPLASH

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Diferente dos demais indicados, “Whiplash” tem mais qualidades do que todos os sete longas juntos. E nem parece um filme de estreia de um diretor que tem tudo para ser o melhor da nova geração, se souber escolher bem seus próximos projetos.
Aqui, presenciamos o limite entre a dedicação e o talento de um jovem prodígio da bateria que quer agradar e ter a aceitação de um professor conceituado e extremamente sádico, mas que graças ao ótimo roteiro, também indicado com justiça, acompanhamos uma história de perseguição de um sonho e seus tortuosos caminhos, sem os clichês que vemos em 99% dos filmes lançados a cada ano. Uma agulha no palheiro.

 

MENÇÃO HONROSA

NIGHTCRAWLER

nightcrawler

Dificilmente vemos no cinema atual um filme, de qualquer gênero, com uma crítica inserida de forma tão brilhante. O que começa como um drama, logo torna-se um suspense crítico sobre a ética televisiva e tudo o que se faz por audiência, nos posicionando no ponto de vista de um protagonista inescrupuloso que encontra nas filmagens de acidentes sua forma de alcançar o que sempre desejou, seja lá o que isso for.

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