ANÁLISE OSCAR 2015: ATOR

Terminando a categoria de atuações, chegamos a uma que quase sempre trás ótimas atuações entre os indicados, deixando outras tão boas quanto de fora, e este ano não é diferente.

Como previmos em nosso post de estreia, quatro dos cinco indicados se mantiveram, e a última vaga foi uma briga ferrenha entre pelo menos outros quatro fortes candidatos, e foi completada com uma boa surpresa.

 

MELHOR ATOR

 

STEVE CARELL “FOXCATCHER”

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Vivendo à sombra de sua mãe, John Du Pont vê em Mark Schultz, recente campeão olímpico, a chance de se destacar e aparecer para o mundo como o grande técnico que sempre quis ser mas nunca foi. No entanto, a difícil relação com seu pupilo acaba tendo resultados trágicos para ambos e todos os envolvidos.
Um dos raros comediantes a transitar muito bem entre gêneros, Carell finalmente consegue sua tardia e merecida indicação ao Oscar, e num papel que, mesmo não tendo tanto tempo de tela para um protagonista, tem uma presença forte e marcante.
Inicialmente tido como favorito, foi perdendo forças com o início da temporada de premiações, até praticamente desaparecer. Mas suas indicações ao SAG, BAFTA (onde concorreu como coadjuvante) e Globo de Ouro o ressuscitaram, porém agora como zebra, sem chance de vitória, mas com muito a colher com esta indicação.

 

BRADLEY COOPER “AMERICAN SNIPER”

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Chri Kyle é o típico texano conservador, educado rigidamente pelo pai e com estigma de herói, que sente a necessidade de defender também seus companheiros no campo de batalha, tornando-se uma lenda dentro do Exército.
Único dentre os nomeados a ser indicado anteriormente, Cooper obteve a expressiva marcar de três indicações consecutivas, e ainda possui uma indicação como produtor do longa. Apesar de ainda não ser tão famoso, nunca se acomodou em sua beleza ou carisma para chegar onde chegou, buscando papeis desafiadores e trabalhando com as pessoas certas.
E é instigante acompanhar um ator, vindo do consagrado Actor’s Studio, conseguir trabalhar com profissionais que sempre admirou e se espelhou, e que agora colhe os merecidos frutos.

INDICAÇÕES ANTERIORES:
MELHOR ATOR:

“SILVER LININGS PLAYBOOK” (2012)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:

“AMERICAN HUSTLE” (2013)

 

BENEDICT CUMBERBATCH “THE IMITATION GAME”

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Durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático Alan Turing – tão genial quanto pouco sociável e de difícil convivência – se oferece para trabalhar para o exército inglês e encontrar, juntamente com uma seletiva equipe, uma maneira de decifrar o misterioso ENIGMA, máquinha alemã considerada indecifrável e que poderia mudar os rumos da guerra.
Bem como seu compatriota Redmayne, é um ator que se divide entre a TV e o cinema desde o começo de sua curta carreira, e que ganhou notoriedade com o seriado “Sherlock“, que abriu caminho para projetos maiores o cinema, como em “Star Trek Into Darkness” e o vencedor de melhor filme no ano passado, “12 Years a Slave“.
Incrivelmente, mesmo tendo a melhor atuação dentre os indicados, não recebeu um prêmio sequer na temporada, mas ao menos consegue sua tão esperada primeira indicação e, no ritmo em que está, não tardará para levar o prêmio para casa.

 

MICHAEL KEATON “BIRDMAN OR (THE UNEXPECTED VIRTUE OF IGNORANCE)”

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Ator decadente e eternizado como o super herói ‘Birdman’, Riggan Thomson tenta um último sopro de reconhecimento na Broadway, onde dirige e atua sua própria peça, mas tem que lidar com egos e problemas familiares durante o processo de reencontro interior.
Conhecido, mas nunca respeitado, Keaton provou ser um dos atores mais medíocres de Hollywood a fazer sucesso nos anos 90 e, logo em seguida, sumir dos radares graças à sua falta de talento, e isso está latente também em “Birdman“.
O filme equivale, para ele, o mesmo que “O Lutador” foi para Mickey Rourke. No entanto, Rourke teve grandes atuações entre os anos 80 e 90, ao contrário de Keaton, que mostrou-se muitas vezes exagerado, como vemos inclusive na péssima refilmagem de “Robocop“, mas que deve ser reconhecido pelos seus iguais com este prêmio pela carreira, pois nunca mais terá uma chance como esta.

 

EDDIE REDMAYNE “THE THEORY OF EVERYTHING”

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No filme, acompanhamos boa parte da vida do gênio Stephen Hawkins, desde sua vida acadêmica até praticamente os dias atuais, e sua relação com sua esposa e com a doença que quase acabou com sua vida.
Jovem ator britânico que transita entre mídias, Redmayne ganhou destaque na excelente minissérie “Pillars of the Earth“, adaptação do romance de Ken Follett. E no cinema, recentemente atuou em dois filmes que concorreram ao Oscar, o drama “My Week With Marilyn” e o musical “Les Misérables“, sem muito destaque.
No entanto, doou-se totalmente neste longa ao interpretar uma das maiores mentes ainda vivas, numa interpretação física espantosa, que lhe rendeu o Globo de Ouro de ator dramático, o inesperado SAG e também o BAFTA e, com isso, credenciar-se como a maior ameaça ao favorito Michael Keaton.

 

MENÇÃO HONROSA

JAKE GYLLENHAAL “NIGHTCRAWLER”

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Um dos melhores atores de sua geração, Jake é um ator que erra muito pouco – talvez seu único erro fatal tenha sido “Bubble Boy“, mas ainda estava em começo de carreira – e é muito versátil, basta ver seu outro filme do ano, “Enemy“, que não foi recebido com devida atenção, mas que mostra o quão talentoso é.
Com certeza foi a ausência mais sentida nas indicações, uma vez que foi indicado ao Globo de Ouro e ao SAG. Sua atuação é magistralmente densa e sombria, um psicopata sem exageros e um manipulador astuto, um personagem dificílimo e cada vez mais raro no cinema atual.

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